21 Setembro 2016
Dia 1, km0
Lisboa – Portugal

Ontem foi quando me bateu a sério que afinal isto vai mesmo acontecer.
Despachei todo o trabalho que tinha para fazer antes do tempo, o que me permitiu ganhar dois dias de folga inesperados. Ao contrário do que supunha, em vez de relaxar, isto pôs-me os nervos em franja.
Não gosto de pensar muito nas coisas, pois sofro por antecipação. E era isso que estava a acontecer, subitamente haviam muitos “e se’s” na minha cabeça. Tinha a mala organizada há umas duas semanas. Era só arrumar. Mas alguma força da natureza me estava a impedir de o fazer!
Arrumei tudo na véspera. Coube tudo! 18kgs compunham a minha mochila principal, com roupa para todas as estações, medicamentos para oito meses e gadgets de independência. Deitei-me tarde para acordar cedo.

A manhã foi uma correria, eu estava uma pilha de nervos. O meu cão, o Taschen, acordou meloso, como sempre, a dar-me beijinhos nos pés ou a espreguiçar-se enquanto o alarme me relembrava a cada cinco minutos que eu estava a ficar atrasada.
Reparti a bagagem de mão entre uma mochila e uma bolsa. Computador, cameras, muitos cabos… Não me importo de deixar para trás roupa, mas material custa-me horrores! Mas sob a pressão do espaço, tive que abdicar de algo: deixei para trás a GoPro. Espero não me arrepender muito!
A minha mãe chegara entretanto, e sem grandes demoras, fechei a porta e saí. Espero só voltar no fim da primavera.
Já no aeroporto, a despedida teria que ser rápida. Não só por causa da nova taxa de estacionamento na zona das Partidas (que chega à módica quantia de vinte euros por uma hora de permanência), mas também porque os nervos acabariam por me fazer chorar. E uma aventureira não chora!
A minha mãe foi-me levar à zona da entrega de bagagens, e com ela ia também o Taschen. Às tantas, já depois de tudo despachado, perguntou-me:
– “Estás feliz?
Que raio de pergunta! Claro que estou feliz! Mas compreendo. São os nervos, demasiado evidentes.
– “Estou super feliz”, respondi-lhe. “Mas estou muito nervosa. É uma aventura enorme!
Demos um abraço apertado e lá se notava que nem os óculos escuros já lhe escondiam as lágrimas.
– “Vá, vai-te embora!”, ordenei-lhe.
É um momento de felicidade, um marco na minha vida. Não posso chorar, nem gosto de despedidas.
E ela foi.

Eram 25 as páginas livres que eu tinha no passaporte, quando saí de Lisboa. Duas outras páginas tinham já colados os vistos da Rússia e da China, e uma outra os carimbos dos Estados Unidos e da Colômbia. É um balúrdio preencher páginas de passaportes! Acho que é um dos nossos bens mais preciosos, dizem tanto sobre nós, as páginas dos passaportes! Onde vamos, quando vamos, como o estimamos?
Este é um dos meus sonhos mais antigos, preencher todas as páginas do meu passaporte. Será que consigo?

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