Dia 5, km 3943, Moscovo – Rússia

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Já vos escrevo do balanço do combóio nos carris da rota transiberiana. Da minha janela, só vejo árvores, de um verde já amarelado, que se esguiam até ao céu azul forte. O tempo aqui neste nenhures é muito diferente do de Moscovo.

Os quatro dias em Moscovo foram atribulados. À chegada, no aeroporto, haviam longas filas para verificarem os passaportes, tanto do nosso voo (que chegou atrasado), como de uns outros dois voos que chegaram cerca da mesma hora.
À minha espera em Moscovo estava a Kate, amiga do meu amigo Miguel. Ela ofereceu-se gentilmente para me acolher em Moscovo, a casa dela era o meu destino.
Já depois de passar a longa fila alfandegária – deve haver uma norma qualquer russa que implica que olhem para nós, o nosso passaporte e o visto, intercalando em pelo menos três ou quatro caras feias, antes de nos mandarem seguir – decidi chamar um uber. É a vantagem de termos um serviço que nos é familiar, e que de certo não nos vão enganar na rota nem no preço. Mas havia sempre o inconveniente linguístico, e por isso a Kate facilitou, ligando para o condutor logo quando confirmei o carro. Realmente útil, porque eles não falam uma palavra de inglês, e eu não tinha como me identificar a mim, ou ao local exacto onde me encontrava. Mas com intermediário, foi fácil.
Chegada à minha nova “casa”, fui recebida com a maior hospitalidade de que me recordo: a Kate até o quarto dela me cedeu para que eu ficasse confortável. Deixou-me à disposição produtos de higiene, toalhas, fez-me um chá, explicou-me tudo para que me sentisse em casa. Abdicou ainda da sua agenda pessoal, para me acompanhar e guiar pela cidade. Rapidamente passou de desconhecida a companheira de aventuras, uma amiga para a vida.

Tive a sorte de estar em Moscovo pela altura do Light Fest, um festival que acontece durante cerca de uma semana em localizações icónicas da cidade, em simultâneo. A entrada é, convenientemente, gratuita! Para mim foi perfeito, uma forma de combinar visitas a grandes monumentos, compreender melhor a cultura russa e ver um espectáculo de luz maravilhoso.
Fomos à abertura oficial do evento na Universidade Estatal de Moscovo, num evento que seria também a apresentação oficial da FIFA 2018, que acontecerá na Rússia. A Universidade, um “modesto” edifício  de 42 andares, estaria coberto por 40km2 de videomapping através de 200 projectores HD. Apesar de termos chegado atrasadas, ainda vimos o videomapping, cuja história se desenrolava em torno de uma rapozinha super fofinha que – pensamos nós – será a mascote da FIFA 2018 em Moscovo.
Mas o melhor ainda estava para vir: depois do já incrível videomapping, seguia-se o mais imponente desfile de luz, ego e ostentação: ao longo de largos minutos, milhares de foguetes faziam piruetas ao som de peças clássicas e estrondosas como “Montagues and Capulets”, de Romeu e Julieta (também conhecida como “Dance of the Knights”), e de cada vez que pensavamos que o espectaculo teria terminado, eis que começava tudo de novo, e sempre melhor, maior e mais iluminado. O espectáculo deixou 125 mil espectadores maravilhados e outros tantos milhares de condutores enraivecidos com as estradas cortadas.
As regras de segurança neste tipo de eventos aperta: toda a gente tem que passar pelos raio-x e ser revistada, o que torna tudo mais moroso. Sendo gratuito, está completamente saturado. Para mim, que estou mais habituada a coisas em menor escala, não deixa de me ocorrer um pouco de agorafobia: ruas cheias, metros cheios… a acontecer algo de menos bom seria uma catástrofe. Felizmente por aqui tudo isso parece estar bem prevenido.
No dia seguinte a Kate conseguiu através de um amigo, credênciais de staff para podermos assistir a outro espectáculo de luz, sem estarmos a ser esborrachadas. Desta vez, fomos até ao VDNKh, um parque lindissimo, em que o principal edificio era a base da projecção dos seleccionados para o “Art Vision contest”, o concurso à escala mundial que elege os vencedores a serem projectados neste festival. No final do espectaculo aqui, havia um concerto da banda “Khor Turkish”, que se apresentaram em palco embriagados a rigor, acompanhados pelos melhor show de videomapping da noite, uma ode ao ano em que se celebra o cinema na Rússia.

Estar num sitio com menos gente foi porreiro, mas gélido! Mas valeu a pena pelo final, com uma chuva de  “gelo de fogo” ou “fogo de gelo” (não sei o nome, mas é lindo de se ver!) a cair pelo telhado, com a banda a berrar o hino da Rússia e oúblico (35 mil espectadores) a aplaudirem orgulhosos enquanto entoavam em uníssono “Rússia! Rússia! Rússia!”

Pirotecnias à parte, Moscovo surpreendeu pela positiva! Muita hospitalidade da parte das pessoas, que sempre se preocupam com o nosso bem estar. Fiquei apenas quatro dias, visitei a Red Square, vi os enormes e maravilhosos centros comerciais, lanchei nas deliciosas padarias / pastelarias, e vi de perto a cultura festiva russa, com expressões populares mescladas do corporativismo europeu.

Depressa chegou a hora de partir. A Kate acompanhou-me até ao combóio, e garantiu que tudo correria pelo melhor. O bom de viajar de combóio é que as pessoas se podem despedir de nós até ao momento em que desaparecemos de vista. Depois de ter ido comigo até ao compartimento, quando chegou a hora de partir, a Kate ficou a acenar na plataforma, pincelando assim o inicio da minha grande viagem com o fado da incerteza se um dia voltamos.
A Kate foi, para mim, a ideia de Moscovo, e Moscovo foi linda e maravilhosa!

Agora é tempo de partir, e começar a aventura a sério.

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